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Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

Os Árbitros e o Futebol Português

 

 

Numa recente crónica que dedicou à defesa da arbitragem portuguesa, Vítor Serpa acusa todos os demais agentes pelos resultados e espectáculos desportivos, escrevendo a dado momento esta frase:
«Só põem a culpa nos árbitros, eles são os culpados de tudo, da competitividade que existe, mesmo que digam que é um nivelamento por baixo»
 
Esta frase não se destinava, certamente, a reduzir o leque das causas dos males do futebol português. Mas pretendeu aligeirar a co-comparticipação dos árbitros. Presume-se, todavia, que Vítor Serpa também considere que o futebol português está (muito) doente.
 
Vítor Serpa não parece ser dos que acreditam muito no nivelamento “por baixo”.
Mas é o que dizem muitos dos estudiosos do futebol, comentadores especializados, economistas do fenómeno desportivo e de outras áreas.
É também o que constata a grande maioria dos adeptos do futebol essencialmente como espectáculo e fenómeno que atrai multidões. E certamente que a constatação real de os estádios estarem cada vez mais vazios também será um indicador, não o único, de tal fenómeno.
 
É a realidade. Em Portugal, a esmagadora maioria dos treinadores joga invariavelmente para não perder, não joga para ganhar. Montam o autocarro, às vezes dois, em frente à sua baliza e só muito esporadicamente de lá saem. Esperam que os 90 minutos decorram o mais rápido possível. Sobra-lhes uma réstia de esperança de que, num erro do adversário ou golpe de sorte, consigam um golito salvador.
No futebol português ganha-se mais por demérito do falhanço do que pelo mérito da conquista.
 
Em Portugal, a competitividade que existe constata-se sobretudo nos salários em atraso e na insolvência de praticamente todas as equipas ditas profissionais. Em termos económico-financeiros, o futebol português não tem viabilidade para mais do que 10 equipas num campeonato principal a quatro voltas.
 
 
Em Portugal, a Justiça arrasta-se há muito tempo na maior das Injustiças. Vítor Serpa deve saber bem quanto de mau para toda uma sociedade advém de uma Justiça que se tornou o paradigma da Injustiça. Causa prejuízos em todos os domínios, no social, no económico, no político.
A desconfiança e a dúvida, versus falta de credibilidade, provoca e potencia fortemente os grandes males da sociedade assim infectada, sendo um dos piores o que pode provocar na paz social.
Seja a Sentença, no plano teórico da sua conformação com a Lei, o Direito e a Justiça, a peça mais brilhante da realização e consagração desta, a insegurança provocada pelo sentimento da seriedade torna a sociedade embrenhada na fábula do lobo e do rapazinho pastor a quem ninguém acudiu quando, efectivamente, aquele lhe devastou o rebanho.
 
Ninguém concordará no aligeirar da quota-parte de responsabilidade dos agentes da realização da Justiça.
 
 
Os árbitros são os juízes do jogo, os responsáveis pela justiça do espectáculo. E devem contribuir mesmo para o brilhantismo desse espectáculo. Deles depende a justiça, não no plano das vitórias morais, mas dos resultados desportivos.
E a justiça dos árbitros está também profundamente abalada e em crise. No ano desportivo em curso, até parece que refinou na injustiça. Os árbitros têm errado demasiado e, o que é mais grave, cometido muitos erros grosseiros, daqueles que nem com muita boa vontade podem ser incluídos no errare humanum est.
E esses erros grosseiros não são apenas os que derivam de um golo mal invalidado ou mal validado, de um penaltie que devia ter sido marcado e não o foi, ou que não devia ter sido marcado e foi, no fora de jogo mal assinalado ou não assinalado e com influência na justiça do resultado do encontro.
Eles derivam também, se não mesmo em mais abundância, da falta de punição adequada das repetitivas entradas faltosas que não deixam fluir o espectáculo e prejudicam aqueles que são os melhores artistas desse espectáculo, e da flagrante parcialidade de critérios disciplinares.
Estes erros, contra o que determinam a UEFA e a FIFA, são talvez os mais responsáveis pelo princípio de se jogar mais para não perder do que para ganhar.
 
As críticas são numerosas e diversas. E não vêm apenas de fora, mas do próprio seio da arbitragem.
O presidente do Conselho de Arbitragem diz, nomeadamente que se «tem assistido a erros grosseiros dos árbitros» e atribui-os «à falta de concentração» e «à pressão exercida sobre os juízes»
E acrescenta: «São muitos erros. Alguns não são admissíveis».
Vítor Pereira lamenta-se de não poder ir ao «mercado de Inverno contratar árbitros».
Exprime a frase mais estapafúrdia para quem ocupa o lugar que ele ocupa: «quem não acreditar no futebol, não deve ir aos estádios».
Termina, referindo: «No actual modelo não é possível termos melhores árbitros»
 
 
O nivelamento é por baixo, atesta-o a realidade. A competitividade é falsa porque, lá no cimo da tabela, ela é desvirtuada e abafada. Existe uma equipa que se faz distanciar, ou pelos benefícios directos que se lhe concedem, os pelos prejuízos que se infligem aos que podem compartilhar essa competitividade.
Nesta edição da Liga, isso tem sido bem evidente. Imensos comentadores desportivos que, em épocas anteriores teciam elogios aos atributos intrínsecos da equipa beneficiada, são unânimes nesta edição, quer nas reticências sobre esses atributos, quer nas benesses de que tem usufruído.
 
Falamos do FCP, de cujo treinador só se ouviu lamento do árbitro num jogo próprio, o jogo com o Trofense. Também foi o único em que foi prejudicado pela arbitragem.
Mas em termos de benefícios directos, é um ver se te avias. Para não se recuar muito no tempo, basta apreciar os últimos três encontros e o anterior com o Braga.
Com o Braga foi o que se viu! Golos irregulares validados, penalties contra que não foram assinalados, uma vergonha unanimemente revelada pela crítica.
Com o Rio-Ave, um penaltie caído do céu e um golo às cavalitas do adversário, quando o jogo estava a terminar e era preciso vencer!
Com o Benfica, um penaltie fantasma mas salvador, quiçá da vitória na Liga!
Com o Paços de Ferreira, um penaltie para confirmar, porque o avançado “portista” tropeça no adversário, depois de este ter cortado o lance!
 
A este propósito, algumas citações de comentaristas desportivos:
«o recente FC do Porto-Benfica ficou marcado por um penaltie inexistente»
«Com o Benfica a ganhar 1-0 no Dragão, o sr. Pedro Proença, a menos de 3 metros de uma jogada entre Yebda e Lisandro, no bico da grande área dos encarnados, marcou um penálti a favor do FC Porto. Yebda não toca no adversário, que se atira para o chão.
Um erro grosseiro e, diria eu, pensado»
«Duas grandes penalidades inexistentes, dois golos. Foi assim nas mais recentes partidas do FC Porto no Dragão. Primeiro com o Benfica, ontem com o Rio Ave.
Assinou Farías, de cabeça, apoiado em Edson. Por muito menos o árbitro assinalou grande penalidade contra o Rio Ave, na primeira parte».
«Contacto entre Gaspar e Farías não justificava penálti. Mais tarde, o argentino apoiou-se em Edson para fazer o 2-1»
«O FC Porto voltou a contar com os favores de um árbitro incompetente, daqueles que se colocam bem e assinalam peremptoriamente um penálti que ninguém mais vislumbra. A coisa está a tomar foros de escandaleira porque, em termos exibicionais, este é o FC Porto mais fraco da era Jesualdo»
 
Perante estes factos e os penalties marcados a favor do FC do Porto, há já cronistas a avisar os jogadores adversários para passarem, pelo menos, a um metro dos jogadores do “Porto”, não vá algum sopro deitar um destes ao chão e, pimba…
 
O Sporting de Braga podia estar muito melhor classificado. Foi prejudicado contra o Benfica e contra o FC do Porto.
 
 
O Benfica, nem se fala. Tirando o jogo com o Braga, em que foi beneficiado, o resto tem sido um pagode. É certo que muitas das exibições não têm ajudado. Mas Vítor Serpa sabe, com certeza, que os erros dos árbitros não têm nada a ver com exibições das equipas.
No jogo com o Rio-Ave, um penaltie sobre Aimar, ficou por marcar e, com ele, dois pontos por somar!
No jogo com o Leixões, um golo mal invalidade a Yebda … e mais dois pontos por somar!
No jogo com o Setúbal, um golo mal invalidade, depois de o árbitro, bem, ter dado a lei da vantagem … e mais dois pontos a voar!
No jogo contra o Nacional da Madeira, um golo mal invalidado quase no final do encontro … e lá se foram mais dois pontos!
No jogo contra o Belenenses, uma grande penalidade a seu favor que ficou por marcar … e mais dois pontos não contabilizados! Por muito menos, ou seja, por nada, marcou o senhor Elmano Santos o penaltie a favor do Porto contra o Rio-Ave e permitiu o golo às cavalitas que colocou o “Porto” a ganhar muito perto do fim!
No jogo contra o FC do Porto, o tal penaltie inventado. E aqui foram três os pontos, que podiam valer quatro! Menos dois para o Benfica, mais um para o FC do Porto e hipoteticamente mais um em caso de empate no final da Liga!
 
Vítor Serpa sabe que em época alguma anterior houve tantas más classificações dos árbitros. E, curiosamente, em seis dessas más classificações, cinco foram devidas a arbitragens de jogos com o Benfica. Aliás, a pior de todas elas foi a de Elmano Santos no jogo Belenenses-Benfica.
Veja-se esta crónica:
«A arbitragem de Elmano Santos no jogo da Liga de futebol entre Belenenses e Benfica foi até agora a pior da época, segundo os relatórios de observadores. A nota de 2,1 (numa escala de zero a cinco) atribuída ao árbitro madeirense foi motivada sobretudo por dois erros que tiveram influência no resultado: uma grande penalidade e uma obstrução, à entrada da área, não assinalados a favor das "águias".
Segundo o relatório do observador divulgado pela Agência Lusa, Elmano Santos estava "perto e bem posicionado" mas não assinalou uma obstrução de Baiano ao avançado "encarnado" David Suazo, nem uma falta cometida por Carciano sobre o mesmo jogador hondurenho.
Os "encarnados" estão envolvidos em cinco dos seis encontros com piores desempenhos dos árbitros».
 
Em época alguma houve um benefício directo e indirecto tão descarado ao FC do Porto, com a contrapartida de prejuízo não menos impudente ao seu mais directo rival. Se fizéssemos as contas aos benefícios e aos prejuízos, com influência directa nos resultados, podíamos chegar a uma classificação totalmente alterada.
Podíamos verificar que o Benfica, mesmo jogando mal muitas vezes, mesmo descontando 3 pontos no jogo com o Braga, teria agora mais nove pontos e estaria classificado com 46, o Braga estaria com mais 6 pontos e 38, o FC do Porto com 4 pontos a menos, no mínimo, e apenas 37.
 
Os árbitros, dizem, sofrem pressões, são aliciados com dinheiro, com viagens de férias pagas e com fruta. E são principalmente pressionados pelas classificações. E estas não são de desprezar. Uma não internacionalização é muito prejudicial economicamente, conquanto nem a UEFA, nem a FIFA, confiem nos árbitros portugueses para as fases finais dos Europeus ou dos Mundiais
E que falar de uma baixa de divisão? São uns bons milhares de euro perdidos!
No entretanto, os árbitros são seres com vontade e querer próprios, pelo que são responsáveis pelos seus actos. Não podem ser desculpabilizados!
 
 
Houve para aí um apito dourado, é certo. Foi uma ideia interessante. Mas, tal como está a Justiça portuguesa e a dos árbitros de futebol, não passou disso mesmo… de interessante!
E o futebol português continua mergulhado na sua podridão e na sua falta de credibilidade, cada vez mais pobre e o público cada vez mais de costas voltadas para ele!
 
É evidente que os árbitros vão sempre errar porque errar é próprio do homem! Mas sempre a errar humanamente em favor de uma equipa e contra os rivais directos?!!!
Por isso, a grande maioria do adepto desportivo não lhe acode! Sabe que ele é um futebol mentiroso, um futebol programado ab initio, com resultados falseados intencionalmente. Já ninguém acredita sequer no menino Jesus nem na sua playstation!
 
E se não são os únicos culpados, os árbitros são, pelo menos, os principais culpados!
publicado por hoogavermelho às 17:22
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